Rais partam isto

Textos que não interessam a ninguém escritos por um niilista agnóstico(seja lá isso o que for...)


Finito

Por excesso de confiança minha;
Por pensar que o nome "Hélder" só por si era insuficiente para que me identificassem;
Por estar convencido que o blog se poderia manter secreto para as pessoas que realmente me conhecem;
Acabei por me expor em demasia, levando a que um texto que aqui publiquei esteja a ser usado contra mim.
Na verdade, pouco ou nada tenho a esconder, mas irrita-me a ideia de que o meu blog - talhado para ser lido apenas por desconhecidos - passe a ser um campo de colheitas para quem pretende tirar alguma vantagem da franqueza com que sempre quis escrever.
Por isso, este é o meu último post.
Reabrirei noutro lado, com outro nome, mas visitando regularmente os muitos amigos que por aqui criei.
Obrigado pela vossa amizade.

No jardim zoológico que é a minha casa

hoje nasceram 6 hamsters.

Imaginem...




Um país onde existem Tribunais privados pertencentes a escritórios de advogados.

Que nesses Tribunais se pode encomendar sentenças por medida;

Onde os juízes e as partes são sócios em várias sociedades;

Onde - após as sentenças - os bens dos réus são transferidos para essas sociedades e para os juízes em nome pessoal em prejuízo dos demais credores ou dos próprios réus que - muitas vezes - só têm conhecimento das acções quando outros tomam posse dos seus bens;

Onde se encerram estes Tribunais por irregularidades e se consegue de imediato um despacho ministerial para abrir outro, no mesmo local, com as mesmas pessoas;

Onde se furtam bens sob a capa da legalidade de uma sentença que determina a sua transmissão;

Onde estes Tribunais têm protocolos para dirimir os litígios de Bancos e Seguradoras;

Onde estas "fábricas de fraudes" funcionam em instalações públicas.

.....

Agora imaginem que esse país é Portugal...


À gata não se pode negar nada

E lá vem mais uma cu-rente...

7 coisas que faço bem:
Improvisar;
Manter a calma;
Trabalhar;
Raciocinar;
Contraditar os argumentos dos outros pelo puro prazer de ser do contra.
Manter a boa disposição.
Dar mimo.


7 coisas que detesto:

Telemóveis a tocar;
Materialismos excessivos;
Presunção;
Má disposição "porque sim".
Melão.
Que me substimem,
Altivez.

7 coisas que me atraem no sexo oposto:
Mais ténis que saltos;
Dinamismo;
Meiguice;
Olhar;
Pernas bonitas;
Boa disposição;
Inteligência.


7 coisas que costumo dizer:
"C'um Catano";
"Cool";
Gosto muito de ti;
Obrigado;
Vamos conseguir dar a volta a isso;
Tristezas não pagam dívidas.
Estou óptimo.

Vou tramar a Orquídea e a JJ. Dêem-lhe com força, miúdas.

Cuidar de dois...

É muito mais fácil que cuidar de três.
A minha vida está um descanso!

Marcámos ás 10 de Sábado...

... na entrada sul do Centro Vasco da Gama.
Há 3 dias que não via os meus filhos. Falava com eles por telefone 2 a 3 vezes ao dia. Estavam tristes, como eu.
Diziam-me que queriam voltar a casa, que já o tinham dito à mamã, mas ela dizia que não podia ser.
Não estavam a ir à escola e não havia qualquer pedido de transferência nas escolas deles em Castelo Branco.
Já há dois dias que eu fazia uma ideia do sítio onde estavam. Um amigo tinha conseguido descobrir que o telemóvel da minha mulher estava, durante a noite, registado na antena da urbanização da Quinta do Infantado, em Loures. Na Sexta Feira ao final do dia, informalmente, consegui, a morada exacta, numa aldeola dos arredores daquela urbanização.
Fui lá na noite de Sexta Feira. Consegui ver luz no quarto e a cabeça do meu filho. Era quase meia noite. Não bati à porta pois sabia que não abririam e, se o fizesse, provávelmente, já não me deixariam ver os meus filhos no dia seguinte.
Detestei o local e a casa.
No Sábado cheguei à Expo ás 8H00. Já tinha feito o reconhecimento pormenorizado do terreno através do google earth, mas queria fazê-lo a pé.
Tinha ainda muitas dúvidas sobre o que iria fazer, mas queria estar preparado para me poder vir embora com os meus filhos se entendesse que era isso que eles queriam e que o podia fazer sem uma situação de confronto potencialmente traumatizante.
Confirmei o que me tinha parecido através do google earth e estacionei o carro o mais próximo possível da saída do teleférico, junto à torre Vasco da Gama.
Chegaram ás 10H00. Os miúdos vinham acompanhados da mãe e do irmão desta que não nos davam mais de 2 metros de distância.
A ideia era ir ao Oceanário. Os meus filhos estavam felicíssimos. Depois de uns metros com os dois ao colo, o Gonçalo quis sair para ir apanhar uma Joaninha. Fiquei só com a Leonor e afastámo-nos um pouco mais enquanto o Gonçalo mostrava a joaninha à mãe e ao tio.
Assim que viu a mãe um pouco mais longe, a Nonô, ao meu ouvido, disse-me "Hoje vou dormir contigo!" "Não pode ser", respondi eu, "Não posso cá ficar, tenho de voltar para casa e a mamã não vos deixa ir comigo...". A resposta imediata dela deixou-me sem palavras: "Vamos pregar uma partida à mamã e fugimos os 3 para a nossa casinha". Calei-me e abracei-a.
No Oceanário pediu-me para ir com ela à casa de banho e insistiu comigo. Voltou a pedir-me a mesma coisa.
Sempre que a mãe se afastava perguntava-me: "Mas quando é que vamos para casa, papá?".
Mais tarde foi o Gonçalo a dizer-me "Quero ir já hoje contigo."
Sempre de forma espontânea.
E difícil tomar decisões em circunstâncias destas. A minha noção é de que os meus filhotes estão claramente melhor comigo e que estavam a sofrer, não só com a minha ausência, mas com a ausência da escola, dos amigos, de casa e das demais pessoas com quem convivem. O Gonçalo dizia-me "A casa de Lisboa é horrível, muito pequenina, e na Rua não há bichos. E tudo feio." "Já estou farto de cá estar. Estamos sempre em casa, ou no café ou nos centros comerciais."
Apesar disso, sabendo que já tinham sofrido um trauma com a retirada de casa, temia que uma nova "fuga" os pudesse traumatizar ainda mais.
Fui deixando correr o dia. Acabámos a visita ao Oceanário, almoçamos no Chimarrão - com a minha mulher e o meu cunhado na mesa ao lado a vigiarem todos os nossos movimentos - e à tarde fomos até ao pavilhão do conhecimento.
Devo confessar que me deu algum gozo obrigar os meus "guarda costas" a gastar dinheiro para entrar nos mesmos sítios que nós.
A visita ao pavilhão do conhecimento foi longa - as exposições são fantásticas para os miúdos - e nela fui ganhando uma maior confiança dos meus "guardas", que se afastaram por duas vezes para fumar e viram que nada tentei.
À saída, perto das 16H00, achei que era hora de definir o que faria. Dirigi-me ao teleférico. Comprei bilhete para mim e para os miúdos. Ida e volta, esperando só usar a ida. A minha mulher e o meu cunhado foram atendidos depois, dando-nos tempo para entrar numa cabine sozinhos. A meio da viagem falei com os meus filhos. Tentei não pressionar. Os dois me confirmaram que queriam voltar. A nônô (Leonor), mais determinada, ficou felicíssima com a ideia. O Gonçalo, mais sentimental e diplomático - nunca quer magoar ninguém-, teve dúvidas por momentos. Perante as dúvidas dele eu desisti da ideia. De imediato me disse que ficava triste pela mamã, que o que gostava era que os dois continuássemos juntos, mas queria ir já para casa. Tenho um orgulho enorme nele por esta faceta sentimental.
Saímos do teleférico em passo normal, aproveitando a distância entre cabines. Assim que saímos da vista da mãe e do irmão acelerámos o passo. A Leonor ao meu colo, o Gonçalo atrás de nós.
O carro estava a uns 20 metros. Só depois de arrancar, com cintos postos, é que reparei na Cláudia a sair do edifício. Não nos viu.
Arrependi-me de imediato. Pedi desculpa ao Gonçalo por não o ter trazido ao colo. Temi que ele pudesse ficar com sentimento de culpa por ter "fugido da mãe". Tentei tirar-lho assumindo a responsabilidade. A Leonor aparentava estar feliz, dizendo "A mamã agora pode ver-nos aos fins de semana de 15 em 15 dias e nas férias". Suponho que era isso o que lhe repetiam em relação ao pai e que ela já tinha memorizado.
O Gonçalo estava nervoso. Mas confirmava-me sempre que queria voltar para casa.
Durante a semana "arrependi-me de me ter arrependido".
Os miúdos estiveram muito bem. O Gonçalo foi recebido na escola como se fosse o Cristiano Ronaldo, com todos os miúdos da sala a gritar "Gonçalo! Gonçalo!". A Leonor não larga o meu colo.
As professoras dos dois dizem que eles têm andado muito felizes, atentos e colaborantes, sem quaisquer sinais preocupantes.
Temos dormido os 3, por insistência deles.
Numa destas noites a Nônô falou a dormir. Dizia "Não mamã, não quero ir!".
Passei a semana com medo que a mãe voltasse a tentar levá-los. Só consegui reaver os livros do Gonçalo e o bibe da Nônô, por troca com os documentos do carro que ela levara. Insistia que os miúdos tinham de voltar com ela para Lisboa. "Eu sou mãe, eles vão comigo para onde eu for!" Assim, tão simples quanto isto.
A Leonor fez anos na Quarta Feira. Convidei a mãe para vir jantar connosco dizendo que podia dormir lá em casa (as fechaduras já tinham sido trocadas e pretendia fechar as portas da rua durante a noite.) Aliás, tenho dito aos meus filhos para dizerem à mamã, como dizem, que pode vir lá jantar e dormir quando quiser. Recusou! Disse que viria ao almoço para passar a tarde com eles. Eu disse-lhe que não, que até haver uma decisão do Tribunal não confiava nela para estar sozinha com eles e não podia deixar de ir trabalhar para a acompanhar. Esta conversa passou-se na Terça e nesse mesmo dia à noite recebi um telefonema de um amigo que me informou que ela estava em Castelo Branco a dormir em casa de uma amiga. Temi pelo que ela estaria a planear - até porque ela insistia em dizer que não me dava as roupas deles porque eles tinham de voltar imediatamente para Lisboa - e na Quarta Feira os meus filhotes não foram à escola.
À hora de almoço, apesar de eu lhe ter dito que não poderia estar com eles, apareceu lá em casa acompanhada da madrasta. Deixei-as entrar sem cenas. Na verdade já esperava - sempre fez o que quis - e em casa estava eu, os meus pais, e 3 pessoas que andavam a fazer arranjos. Esteve lá uma hora. As 14H00 tive de lhe pedir para sair, pois eu tinha um julgamento ás 14H30. Voltei a dizer-lhe para regressar à noite, que nessa altura poderia estar o tempo que quisesse com eles e poderia dormir ali. Recusou novamente. "Eu vivo em Lisboa, tenho de voltar apara casa e não posso passar cá a noite" (que isto de vida de desempregado tem muitos afazeres).
Dois dias depois fez um requerimento ao Tribunal dizendo que eu não a deixei ver os miúdos, nem sequer no dia de anos da filha!...
Hoje - Sábado - estão com a mãe.
Ontem decorreu a primeira conferência no Tribunal e a Dr.ª Juiz atribuiu-me provisoriamente a guarda dos menores fundando-se naquele que lhe parece ser o interesse superior deles. A mãe - que não resistiu a "mostrar-se" discutindo com a juiz - poderá vê-los aos fins de semana de 15 em 15 dias. O segundo "round" vai ser a 27 de Abril, com inquirição de algumas testemunhas.
Agora tenho quase dois meses para poder demonstrar que consigo ser "boa mãe" para além de pai. Tenho a oportunidade de combater a presunção de que só as mães conseguem cuidar bem dos filhos. Estou confiante, aliviado e feliz.

Chorar

Hoje é o dia mais triste da minha vida.
Cheguei a casa ás 18H00, regressado de uma reunião em Lisboa.
A casa estava vazia. Os meus filhos foram levados para longe de mim, contra aquela que sei ser a sua vontade.
Sem respeito pela lei, e principalmente, sem respeito por eles e pela sua estabilidade emocional, a mãe deles retirou-os de nossa casa aproveitando a minha ausência e levou-os para os arredores de Lisboa onde tem casa arrendada.
Não sei onde estão. Ela não me diz.
Não posso ver os meus filhos e noto-lhes a tristeza na voz.
Esta é a minha mulher como ela é: Egoísta!

Alive and kicking

É difícil escrever quando vivemos absorvidos por um assunto sobre o qual prometemos não escrever.
Tempos tramados estes!
É curioso como funcionamos.
É curioso como podemos ser "tomados" de tal forma que nem nos sonhos nos conseguimos livrar da ansiedade.
Optimista e bem disposto como sempre - só um bocado mais distante e ansioso - espero voltar em breve "ao cãobíbio dos grandes".
"I'll be back"

Estive com a "Ouriça" há uns dias


Mas ela nem deu por nada....

Leitura de WC

Para os curiosos do funcionamento interno da justiça que tenham problemas intestinais, aconselho uma ida à casa de banho do Tribunal Judicial da Comarca de Penamacor.
Neste fantástico Tribunal - que conta com juiz apenas ás Quartas-Feiras - a casa de banho pública funciona como extensão do arquivo.
Assim, enquanto "obram", V. Ex.as poderão passar os olhos por registos criminais dos cidadãos da terra, por centenas de processos antigos, extractos bancários do Cofre Geral dos Tribunais, correspondência, enfim tudo o que faz parte do arquivo "secreto" de um Tribunal.
E se por acaso faltar o papel...

Passeios com anónimos


Sábado passado tive o prazer de levar um amigo "anónimo" e refilão e o filho dele - bem melhor que o pai - até aqui. O meu filho ensinou-os a conhecer o Carvalho Português pelas folhas bem como as utilidades das sementes de cardo. A minha filhota preparou a mochila de bolachas e laranjas que levámos para o passeio. Obrigado pela visita!

O "chico espertismo" nacional

Um dos clientes que mais admiro - homem de 66 anos, grande experiência de vida e inteligência muito acima da média - entrou há tempos para uma sociedade por quotas que tem mais uma vintena de sócios.
Ao fim de algum tempo começou a detectar algumas ilegalidades que prejudicam a generalidade dos sócios e possibilitam o favorecimento pessoal dos gerentes.
Ao fim de algum tempo conseguiu obter uma reunião com a gerência para expor a situação.
Foi ontem e a resposta fantástica dos gerentes ás ilegalidades em causa foi esta: "Ó senhor engenheiro, nós não temos tempo para ver as leis, nem para aturar quem as lê. O senhor passou a ser pessoa non grata nesta sociedade e agradecemos que saia!"
Escusado será dizer que este sócio gerente é uma figura política importante a nível local.
Citando o José Pedro Gomes num "Herman Enciclopédia" de fim de ano lá para os idos de 1989, "Tomara uma bombazinha atómica, p'ra ver se isto purifica!"

Fama "post mortem"

O João vai ter os seus 15 minutos de fama. Afinal o Andy Warhol sempre tinha razão. São 15 minutos certinhos, no "História Devida" da Antena 1, dia 23, ás 17h20, 21h20 ou 02h20.

Não resisti...

Dois advogados encontram-se no estacionamento de um MOTEL e reparam que cada um está com a mulher do outro...Após alguns segundos de perplexidade, um diz ao outro em tom solene e respeitoso:"Caro colega, creio que o correcto seria que a minha mulher viesse comigo no meu carro, e a sua mulher voltasse com V. Excelência".
Responde o outro:"Caríssimo colega, isso seria o correcto mas, não seria o justo, especialmente tendo em consideração que V. Excelência está a sair, e eu ainda estou a chegar"...

Guerra das Rosas

À medida que o tempo passa vou percebendo porque é que nunca gostei de divórcios.
Cuba, país que adoro onde já estive 2 vezes e onde gostava de voltar, tem o sistema mais racional que conheço: Publica-se um anúncio no jornal e pronto, divórcio tratado, assunto arrumado.
Com o exacerbamento das emoções cometem-se autênticas loucuras, traem-se princípios, mente-se - mente-se muito - e, acima de tudo, esquece-se o mais importante, que é o bem estar dos menores quando os há.
Um dos mais promissores jovens escritores da américa latina da actualidade, Santiago Rocangliolo, escrevia há pouco no seu blog e a propósito da guerra que " En una guerra no hay información: sólo hay propaganda. Cada cosa que se dice sobre el combate en realidad forma parte de él, de la guerra de las ideas que se libra en paralelo a las balas. Incluso las palabras que se escogen tienen una razón. Y esa razón nunca es decir la verdad. "
Os divórcios são assim.
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