Rais partam isto

Textos que não interessam a ninguém escritos por um niilista agnóstico(seja lá isso o que for...)


Vivo numa casa assombrada

Regressado do horror das férias descobri esse facto delicioso: Vivo numa casa assombrada!!
A história conta-se em poucas palavras:
Há dois anos comprei uma casa centenária numa aldeia.
Estava em péssimo estado após duas décadas de abandono desde a morte dos anteriores proprietários.
Dois penosos anos de obras mais tarde, finalmente mudei-me em meados de Julho.
Como não sou da terra nem lá conhecia ninguém só agora começo a falar com os vizinhos.
Ontem a vizinha do lado contou-me que antes das obras metade da terra tinha medo de passar junto à minha casa, pois diziam que estava assombrada...
De repente cada estalar da madeira, cada corrente de ar, cada um daqueles enigmáticos e aparentemente inexplicáveis barulhos que ouvimos à noite passou a ter um sentir diferente...
Em tempo: Durante os dois anos de obra caiu um trabalhador do telhado depois de ter perdido inexplicavelmente os sentidos. Resultou dessa queda uma fractura exposta do cotovelo com muitos ferros e parafusos de recordação. Caiu um outro nas escadas, de forma também aparentemente inexplicável, resultando dessa queda uma fractura exposta da tíbia, com ferros e parafusos de recordação... Mais recentemente o pintor suicidou-se. Enforcou-se dias depois de ter terminado a obra.
Estes factos são absolutamente verídicos.
Curioso, não?

Salvem-me

Isto das férias é pior do que eu pensava!
Consegui fugir por uns instantes para um ciber café. Já fiz praia, já fiz compras, mais um pouco de praia, mais um bocadão de compras. Estou farto!
Quero uma semana na Amazónia. Quero subir aos Andes. Sei lá, até me contentava com uma descida do Tejo de canoa.Tudo menos isto. Isto é Horrível!!!
É assustador acordar. Só a ideia de passar umas horas parado no assador da praia, no meio de milhares de pessoas... Sim, que isso é o pior... as pessoas!
Começo a pensar que sofro de uma fobia qualquer aos seres humanos.Uma "Humanofobia". Isso! Sou humanofóbico! Até soa bem e fica catita nos cartões de visita...
Mas não sou um humanofóbico qualquer: irritam-me apenas os grupos superiores a 100 pessoas e alguns individuos em particular. Será, eventualmente, uma fobia ligeira...
Não é que eu tenha nada contra as pessoas. Não, não tenho... desde que não entrem na minha ZPE - zona de protecção especial - estabelecida num perímetro de 5 metros em meu redor! Claro que abro excepções... Mas cada vez são menos.
Relendo esta treta que acabei de escrever veio-me de repente à memória uma das últimas músicas dos Queen: "I'me going slightly mad"!
Estranhas associações estas que o nosso cérebro faz...

Detesto férias

Ai vou eu. É já amanhã.
Vou com a promessa de estar 15 dias, na certeza, porém, que regressarei muito antes disso.
Aborrece-me não ter nada que fazer. Gosto de tranquilidade quando ela resulta de uma opção. Quando posso escolher entre o stress e a calma; quando a busco voluntariamente.
Aborrece-me a que é forçada. Aborrece-me o "ter de ir para a praia", ter de fazer férias em Agosto, mesmo que não me apeteça, ter de criar uma rotina stressante de aparente tranquilidade: Ter de levantar cedo e ir tomar o pequeno almoço rapidamente para aproveitar a praia de manhã. Ter de fazer a digestão antes de entrar na água. Ter de secar completamente antes de ir embora. Ter de regressar a horas de fazer o almoço. Ter de "pastelar" nas horas de maior calor ou ter de passear os Centros Comerciais até estar na hora de ter de ir outra vez à praia. Ter de ir à esplanada. Ter de passear as ruas atoladas de gente.
E depois, à noite, há as melgas... essas cabras!
Para além disso não gosto da praia.
Não é bem verdade... Não gosto das praias no verão, quando estão abarrotadas. Isso sim é verdade.
Apetecia-me ir para a Polinésia Francesa para um daqueles bungalows sobre as águas, com peixes como vizinhos. Isso sim é praia. Isso sim é vida!
Como não posso, vou para um destino bem mais próximo, inundado por hordas de turistas, que tal como eu aparentam estar a cumprir um daqueles estranhos e inexplicáveis rituais de outras espécies que vemos na National Geographic.
Para além disso vou ter saudades dos blogs. Tou-me a ver a dar umas escapadelas aos cibercafés para ler os últimos "episódios"...
Que se lixem as férias, voto pela liberdade!

Bola

Ainda não escrevi nada sobre futebol. Parecerá eventualmente mal um heterossexual latino ter um Blog sem referências à Bola.
A verdade é que, ultimamente, não me apetece falar de futebol, o que quer, obviamente, dizer que sou Benfiquista.
Não obstante, tenho saudades da Luz! Cheia!... Um sentimento fantástico mesmo para quem não gosta de futebol.
Deixei de ir com regularidade há cerca de 9 anos quando troquei Lisboa por uma cidade do interior, cidade essa que agora troquei por uma aldeia do interior (há cerca de um mês), que espero um dia poder trocar por uma quinta no interior que por sua vez espero, após a reforma, trocar por um veleiro que me permita levar uns anos a navegar, descansar das pessoas e... de tanto "interior".
Anseio por esse dia: o dia da minha reforma! Já só faltam 32 anos para atingir a idade!...
Demoram a passar...
Sabendo que jamais serei rico - não tenho feitio para ganhar dinheiro, o que provoca um grande desgosto da minha mulher - sei que preciso de ganhar o suficiente para poder comprar esse veleiro e poder viver uns anos a vaguear ao sabor do vento e das correntes. É um objectivo de vida... Um como outro qualquer.
Não é tão fácil como possa parecer. Se é certo que tenho poucas ambições, não é menos verdade que gosto de fazer as coisas em estilo! Não pode ser uma traineira qualquer... Tem que ter segurança, boas condições e acima de tudo ser bonita (bonita, pois, que o sexo da beleza é sempre o feminino).
Até lá vou esperando, vivendo, sobrevivendo - não, acima de tudo vivendo que não gosto do ar lamechas de fado trágico que damos à expressão "sobrevivendo"! Vou vendo a bola para matar o tempo...

Tranquilidade


Pertinho de casa, excelente para ir beber paz enquanto se dão umas braçadas.
Melhor para o stress, só mesmo o meu saco de boxe :)

Sexo errado

Não, não escrevo este título para atrair leitores ao Blog. Se fosse para isso acrescentava a palavra grátis. Sim, que nós portugueses somos tão tesos (no sentido económico e não sexual do termo) que só pesquisamos por sexo grátis! (manda a decência que eu acrescente que isto é o que tenho "óvisto" dizer e que até hoje nem sabia que se podia pesquisar sexo na internet).
Mas falo a sério, da discriminação sofrida pelas pessoas pelo simples facto de terem nascido de um sexo diferente. Da verdadeira. Da contemporânea. Da institucional. Da sofrida ... pelos homens!!
Sim que isso de discriminação das mulheres é chão que já deu uvas.
Continuamos a falar insistentemente dela mas, em coisas realmente importantes, é tão furtiva como o Lince da Malcata. Faz-me lembrar o holocausto nazi que periodicamente nos é recordado para permitir que continue a estratégia de um povo de angariar simpatias e apoios pela vitimização. (Ups, agora fui longe de mais)
É certamente frutífera essa postura. No caso das mulheres passámos da discriminação negativa para a positiva, com quotas mínimas e incentivos à contratação.
Mas nem é isso que me chateia. Desde pequeno que fui ensinado a deixar passar primeiro as senhoras e não me aborrece que esse direito se comece a manifestar nos empregos, tachos e assimilados.
O que francamente me aborrece é muito mais sério e tem a ver com uma das poucas coisas realmente importantes: o exercício do poder paternal.
O pai alheado da educação dos seus filhos é outra das espécies que nos últimos anos viu a sua população ser quase completamente dizimada por pragas sucessivas de educação e formação moral.
São, felizmente, cada vez menos e vão estando restritos a meia dúzia de "parques naturais" situados em aldeias do interior e nos arredores das grandes cidades.
No lado oposto a mãe omnipresente, carinhosa, atenta, preocupada, educadora vai desaparecendo (mais devagar, é certo, mas vai). Oprimida durante anos tenta agora seguir o mau exemplo dos homens que a oprimiram, afastando-se em excesso da visão tradicional da família.
No entanto, nos Tribunais, a custódia dos filhos continua a pertencer quase crónicamente à mãe. Para conseguir que assim não seja é necessário provar que o pai é excelente e a mãe é péssima. Não basta que o pai seja melhor ou muito melhor que a mãe. Ele tem de ser exemplar e mesmo assim só tem hipóteses de ter os filhos consigo se ela for terrível. Ainda persiste a mentalidade retrógrada de que os filhos têm de ficar com a mãe porque... ela é mãe! Basta isso! Seja boa ou má!
Muitos continuam a pensar que os homens, pelo simples facto de o serem, não sentem verdadeiro amor pelos filhos, são incapazes de cuidar deles e de os educar, quando essa deixou, há muito, de ser uma verdade insofismável.
O problema é que parece que ninguém se apercebe disso. Ou apercebe mas não fala.
Parece uma fraqueza, por parte dos homens, confessar que se sentem discriminados.
Afinal, somos "machos latinos"...
Não deixa de ser curioso que à mulher silenciosa - porque mal tratada em casa -, à mulher abusada, vá sucedendo um outro sofrimento silencioso: o dos homens que se mantêm casados com mulheres que muitas vezes abominam, simplesmente por sentirem que não conseguirão suportar a tortura de estar afastados dos filhos que amam... Modernismos!!

Sentido de humor em "off"

Está desligado.
Parece um "black out" geral.
Aparentemente quase todos são bem dispostos, bem humorados... mas isto das aparências...
Quando toca a ter poder de encaixe, quando toca a um humor um pouco mais cáustico, soam os alarmes, ligam-se as defesas e responde-se com agressividade ou indiferença.
Vou dar um exemplo:
Há uns tempos atrás solicitei, por escrito, uma reunião a um representante de uma seguradora para negociar uma indemnização.
Responderam-me por fax dizendo que a seguradora em causa não faz reuniões pois só tem atendimento telefónico (Não, não é essa! É mesmo uma das tradicionais).
Não resisti e no meu fax seguinte diverti-me a responder o seguinte:
"Foi com grande consternação que tomei conhecimento das graves dificuldades financeiras atravessadas por essa seguradora que não tem sequer possibilidades de ter instalações físicas que permitam reunir com os clientes e seus advogados.
Tanto assim é que organizei já um “movimento” no sentido de angariar fundos que permitam arrendar uma sala para esse fim, sala essa que colocaremos à V. inteira disposição.
Lamento, no entanto, informar que até agora a colecta não tem corrido muito bem. Vá-se lá saber porquê mas as pessoas não têm grande imagem das seguradoras…
Estou, no entanto, esperançado que, após o espectáculo agendado para a próxima semana com um acordeonista de renome local (lá na tasca todos o conhecem…) seja possível inverter a tendência e colocar à V. disposição uma salita que a D. Rosaria tem livre na sua casa na zona nobre da Cova da Moura e que está disponível para os próximos 12 anos (ou 9 se o Tó Mané entretanto conseguir sair em condicional).
Da minha parte podem contar com todo o empenho e com uma máquina de café em segunda mão (queima um bocado a bica mas com um cheirinho nem se dá por nada), que oferecerei com todo o gosto. Temos de ser uns para os outros…"
Depois, em tom mais sério, transmiti a minha proposta de indemnização.
Diverti-me a escrever e tentei divertir o engravatado do doutro lado.
Tentei animar um pouco o dia de alguém que, suponho, terá um trabalho aborrecidíssimo e frustrante: o de tentar reduzir ou negar as indemnizações a que as pessoas possam ter direito devido a qualquer sinistro.
Fiquei ansioso à espera da resposta.
Imaginei um toque de humor negro... imaginei um humor ressabiado e agressivo (para o qual tenho suficiente poder de encaixe e que, na verdade, é o que mais me diverte). Imaginei boa disposição e quebra do formalismo...
Enfim, imaginei tudo, menos o que recebi: duas linhas secas dizendo simplesmente que a seguradora mantém a posição assumida na correspondência anterior.
Uma bofetada!
Toma lá disto: ignoramos-te completamente. Vai-te armar em engraçadinho para o raio que te parta...

Maria João "on the move" Pires

E aí vai ela.
Brasil é a próxima paragem.
Tudo correu mal em Portugal. Algo que já se sabia, tanto assim é que há pouco mais de um ano a pianista declarava a uma jornalista da revista blue LIVING “Isto mata-me. Eu vou para Espanha porque isto mata-me”, confessou-nos Maria João Pires(…) É uma morte lenta que significa que o que vai realmente morrer é Belgais, tal qual existe agora (…) a falta de reconhecimento e entusiasmo de Portugal acelera o processo que já se iniciou (…) a passagem dos projectos para um novo centro em Salamanca a convite dos espanhóis (…) será para lá que irá a essência do centro, as actividades.
E assim foi.
Ou pelo menos parecia que ia ser.
Foi celebrado um protocolo com uma fundação pertencente à Caja Duero e era suposto que a actividade passasse para Salamanca onde seria criado um "projecto gémeo" de Belgais.
Isto, sem os problemas habituais dos apoios portugueses. Em Espanha tudo seria melhor.
Já em 15 de Julho de 2004, em entrevista ao jornal espanhol "El Mundo", Maria João reespondia à pergunta "se lhe pedissem para trazer a sua escola para Espanha, fazia-o?" com um esclarecedor "Porque não mudar de país se o meu não me apoia?"
Mas então o que se terá passado em Espanha, esse país muito mais avançado e empenhado na divulgação das artes e apoio dos artistas que o nosso? Será que...- não, não acredito - será que... não houve apoios????
Será que a fundação preferiu apoiar algum artista da Operação Triunfo? Será que os espanhóis não aderiram por a Maria João não ser interessante para a imprensa cor de rosa que comanda a vida e os gostos de "nuestros vecinos" (que isto de "hermanos" soa sempre a falso)?
Bem, se Espanha também não dá, talvez o país do mensalão seja a solução (rima e tudo).
Um pais habituado a viver acima das possibilidades; a gastar o que tem e o que não tem... Humm...parece o país ideal!
Venha o Brasil... afinal, a arte e o génio não têm pátria. O que é necessário é que haja condições para que se desenvolvam.
Abandone-se, pois, Belgais.
Abandonem-se os muitos milhões investidos pelo Estado e pela UE na casa da artista (que por acaso também tem umas divisões dedicadas ás artes).
Abandonem-se os muitos trabalhadores do centro, alguns dos quais não recebem desde o início do ano.
Abandone-se a escola da mata, o coro, todos os projectos...
Venha a terra prometida de Vera Cruz. Longe dos problemas... longe de tudo e de todos!
The dream is back!

Raios partam isto

Assim mesmo.
Frustrado por não encontrar um raio de um "username" que sirva a estes senhores do Blogspot, fugiram-me os dedos para o desabafo e ficou este o nome para o meu blog.
Entretanto, já com o dito baptizado, descobri um outro Blog chamado "raios partam a memória". Espero que este meu plágio involuntário não termine nos Tribunais...
Quero desabafar. Não quero diálogos. Desses estou eu farto!
Apetece-me, pois, criar um Blog. Para o desabafo (Para isso e para matar os 40 minutos que faltam para poder ir almoçar).
Atrai-me a ideia de publicar os meus pensamentos na certeza de que ninguém os lerá.
Atrai-me a ideia do "diário público".
Pensando bem nisso, creio que devia ter escolhido um "alias" para assinar... Bem, já está já está! E a verdade é que isto do diário não é bem assim... Não vou, concerteza, cometer a loucura de dizer que tenho saudades de uma "broca" ou que estou farto da minha mulher! Não, essas coisas não digo!
Quero falar sobre o tempo, sobre a conversa de circunstância na sala de espera do dentista, sobre a influência da barata africana na cultura europeia..., enfim, sobre tudo o que possa não interessar a ninguém.
Quero, acima de tudo, ter prazer a escrever. Fazê-lo sem complexos e com gozo. E se por acaso alguém acidentalmente por aqui passar espero que os meus textos possam substituir eficazmente os soporíferos que toma e que contribuam, assim, para o declínio da indústria farmacêutica.




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