Rais partam isto

Textos que não interessam a ninguém escritos por um niilista agnóstico(seja lá isso o que for...)


Ah, Paris...

Por saber que uma das minhas "blogadeiras" preferidas está em Paris recordei-me da minha experiência naquela cidade.
No ano passado fui a Wiesbaden, uma belíssima cidade junto a Frankfurt, comprar um brinquedo grande de 4 rodas. Fui de Avião e regressei ao volante.
No regresso aproveitei para conhecer Paris. Só tinha um problema: uma reserva num Hotel em Bordéus a cerca de 600 km dali.
Assim, a minha visita a Paris demorou uma hora e meia. O suficiente para ver Notre Dame, a Conciergerie, o Arco do Triunfo pelo retrovisor e como, por sorte, o semáforo ao lado da Torre Eiffel estava vermelho até deu para tirar umas fotos...
Na mesma viagem, um dia, uns quilómetros e um país mais à frente, fiz um desvio para fazer uma visita ainda mais rápida a outra cidade: Bilbau. Entrei pelo lado do aeroporto: o primeiro edifício que vemos é o Guggenheim - a razão do meu desvio. Dei uma volta ao quarteirão, parei em frente, tirei duas fotos e segui - queria chegar a casa ainda nesse dia.
Certamente regressarei em breve, com tempo para conhecer realmente, mas fartei-me de rir sozinho com as minhas visitas expresso feitas com o espírito de um concorrente aos jogos sem fronteiras, a cumprir uma prova o mais rapidamente possível.

dassssss

Ás vezes apetece-me esganar todos os que me aparecem à frente.Hoje estou num desses dias. Tudo me corre mal. Como estou longe de casa e não posso descarregar no saco de boxe, deixo aqui a minha singela homenagem a algumas das minhas expressões favoritas:
1) Arraial de Porrada;
2) Latada nas Trombas;
(Estas duas de inspiração rural e atravessadas por um certo espírito bucólico-pastoril)
3) Levas uma cabeçada à Cais do Sodré que andas duas semanas a cuspir fininho (bastante requintada, esta);
Expressões que, embora fazendo parte do nosso património histórico e cultural, têm sido mal tratadas pelo desuso.
Aproveito a oportunidade para, em homenagem a uma classe, deixar o meu contributo para que se criem outras expressões de manifestação de desagrado como:
1) "Filho da p... do contabilista", uma expressão que, segundo creio, pode pegar de estaca, ou
2) "Mete as multas no cu e paga's tu", que, para além de rimar, faz cada vez mais sentido nos dias que correm como forma de retribuir a incompetência desse classe tão dedicada aos números e tão pouco abençoada com inteligência e diligência.
(E que me perdoem as poucas excepções que confirmarão a regra)

Adolfo Luxúria Canibal

Reza a lenda que numa noite de concerto, no mítico Rock Rendez Vous, o vocalista empunhou uma navalha e perante a estupefacção do público a espetou na perna.
Reza a lenda que o sangue escorria e, no final, quando questionado sobre os motivos de tal acto, terá respondido simplesmente: “estava um ambiente de cortar a faca”.
….
Na segunda-feira à tarde, enquanto regressava a casa vindo de uma reunião nos arredores de Loures, sintonizei o rádio na TSF a tempo de ouvir o “Pessoal e Transmissível” de Carlos Vaz Marques.

Entusiasmei-me quando ouvi o nome do convidado: nada mais, nada menos que o mítico Adolfo Luxúria Canibal, escritor, vocalista dos Mão Morta e proprietário da maior “pedra” portuguesa dos anos 80 – e eventualmente de muitas outras pedras mais pequenas que terão desaparecido na “fumarada”.

Com mais de 200 quilómetros pela frente pensei para mim: “isto vai ser giro”. Afinal, tratava-se do autor de “sucessos” com “Bofia”, “Chabala” e o mais conhecido “Budapeste”.

Fui enganado. Afinal o Luxúria Canibal já morreu e quem esteve por lá foi o seu alter –ego, o Adolfo Macedo, advogado.

O homem que “destilava ódio” já não existe. No seu lugar colocaram um bimbo que se acha um pseudo-intelectual, que se preocupa com a imagem e com o que as pessoas pensem dele e que inventa mil desculpas para aquilo que foi no passado, dizendo que o Luxúria é “apenas um personagem” que ele criou e, de quando em vez, interpreta.

Regressado de Paris por falta de dinheiro e por estar a terminar a sua licença sem vencimento, parece que o Adolfo vem preocupado com a angariação da clientela e pretende cortar com a imagem do passado. Parece que se envergonha de quem foi. Não o disse, mas deixou-o transparecer.

O Adolfo é agora um homem que se acha demasiado bom para a cidade em que vive, um homem enfadonho, tão enfadonho que “destila” velhice na sua pior forma: a de espírito.

Isto devia ser proibido. Algumas pessoas deviam ser proibidas de envelhecer. Qual o fan dos Guns n’ Roses que não ficou chocado ao ver o Axel no Rock in Rio? Quem ainda vê no João Loureiro alguma semelhança com o vocalista dos Ban? Quantos neurónios mais restarão ao Reininho? Onde estão os Sitiados? E a Lassie??? Que é feito da Lassie???

Enfim, caiu-me mal. Ando a canja de arroz desde então.


P.S.: Nunca gostei da música dos Mão Morta – bom, gostei uma vez mas depois tomei um gurosan e passou-me - mas isso é irrelevante para o caso.

Adoro a vida do campo


Cerca de dois meses depois de ter deixado a cidade para ir viver numa pequena aldeia estou completamente rendido à mudança.
Há sempre qualquer coisa para fazer no exterior, coisas novas a descobrir e uma tranquilidade inigualável.
Ontem passei o fim de tarde a passear de bicicleta por caminhos de terra com os meus filhos e o Jolie, um cão de rua que nos adoptou e já é parte da família.
Há sempre surpresas ao virar da esquina, como a que a foto documenta.
O jantar é sob as estrelas, a alvorada começa com o barulho dos pássaros que debicam as sementes de relva que eu tento fazer crescer e as formigas que as carregam. O simples facto de todas as pessoas com que nos cruzamos na rua nos cumprimentarem, mesmo que nunca nos tenham visto, transmite segurança e uma sensação de estar "em casa" ainda que, como nós, não se tenha qualquer raiz no local.
Até eu estou a ficar menos cáustico, menos ressabiado... Se isto continua assim ainda fico simpático... Sei lá onde é que isto vai parar!
Fujam para o campo. Aposto que vão gostar.

Se eu fosse politico...

...abolia a democracia.
Bom, na verdade, se fosse político seria um ditador do piorzinho. Algo me diz que tenho uma daquelas almas facilmente corrompíveis pelo poder.
Em ingénuo (período que mediou entre o nascimento até há uns minutos atrás quando me disseram que a fada dos dentinhos não existe) acreditava que a melhor forma de governo era esta.
Até me envolvi em campanhas eleitorais, fui membro activo de uma "jota" e acreditava que os partidos eram formados por um bando de altruístas que praticava realmente aquilo que a ideologia dos seus fundadores apregoava.
Ganda Bimbo qu'eu era!
Descobri, no entanto, que já há muito que o poder do povo acabou. Atentem nesta definição de cleptocracia tirada da wikipédia: "...significa literalmente “Estado governado por ladrões”. A cleptocracia ocorre quando uma nação deixa de ser governada por um Estado de Direito imparcial e passa a ser governada pelo poder discricionário de pessoas que tomaram o poder político nos diversos níveis e que conseguem transformar esse poder político em valor económico, por diversos modos.O Estado passa a funcionar como uma máquina de extracção de renda ilegal da sociedade..."
Isto soa-me a qualquer coisa que eu conheço, não???

Exausta


Apareceu ontem à minha porta, desidratada, exausta, a olhar para nós como que pedindo ajuda.
Para já conseguimos que bebesse um pouco de uma papa de água, maizena, nestum e açucar.
Sobreviveu à primeira noite.




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